“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do Girona, e não vai ser retirado.
A série sem derrotas chega aos 9 jogos. Uns foram vitórias e outros fugas, mas uma equipa que se recusa a perder é uma equipa de que os outros balneários falam.
Os clubes chegaram a acordo, e o que falta é formalidade: exames médicos, uma fotografia, uma assinatura. No Girona ninguém finge que ele voltará a vestir a camisola.
Não há pior forma de perder um futebolista. Cole McGhee pré-acordou a saída, o que significa que cada jogo daqui até junho é feito por um homem que o clube já não pode vender, e alguém lá em cima vai ter de explicar como se chegou aqui.
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
«Agradeço os jogos, mas não me fiz futebolista para ser a peça sobresselente de alguém.» Quer estar em Girona, e 2 jogos em 8 dizem que merece ser ouvido.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
«Dei tudo a isto, mas a minha família não está aqui — e eu também não, na verdade.» A um futebolista corrige-se a má fase. Disto nunca ninguém foi corrigido, e no Girona sabem-no.
«Dei tudo aqui e preciso de um desafio novo.» O pedido é formal, e a relação nunca mais vai ser exatamente a mesma.
Plantel22/10/2035
Uma transferência que Antonio Sierra teria feito de graça
Há uma versão de cada carreira em que o jogador acaba onde escolheu e não onde o escolheram. Antonio Sierra está a viver essa versão no Girona, e costuma notar-se no primeiro mês.
Os clubes chegaram a acordo, e o que falta é formalidade: exames médicos, uma fotografia, uma assinatura. No Girona ninguém finge que ele voltará a vestir a camisola.
As regras permitem-no e dói na mesma. Yanis Bastaraud acertou condições com o Valladolid para o verão e, até lá, veste esta camisola como quem já escolheu a seguinte.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Girona coisas que levam mais de uma semana a retirar.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Nicolás Pedrazzini estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
18 dias no comunicado, e por trás dele um ano de recuperação silenciosa, sem ninguém a ver. O Girona perde um jogador por uma época; ele perde algo mais difícil de nomear.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Girona coisas que levam mais de uma semana a retirar.
Toda a gente no Girona viu antes de alguém o dizer, que é como isto vai sempre. Aos 34 o declínio é real e mensurável — 3 pontos — e só falta saber como o clube trata alguém a quem deve muitíssimo.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Nolann Bourichon estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para Edward Ibrović-Fletcher, e o treinador deixou.
25 dias na estimativa, e um ano longo, privado e sem glamour de uma recuperação que ninguém vê. O Girona perde um futebolista; ele perde bastante mais do que uma época.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Girona coisas que levam mais de uma semana a retirar.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Nicolás Pedrazzini estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
A papelada fica pronta muito antes do jogador. Jamerson acertou vir quando o contrato atual terminar, o que significa que o Girona substituiu um orçamento de verão por um telefonema.
«Dei tudo a isto, mas a minha família não está aqui — e eu também não, na verdade.» A um futebolista corrige-se a má fase. Disto nunca ninguém foi corrigido, e no Girona sabem-no.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
32 dias na estimativa, e um ano longo, privado e sem glamour de uma recuperação que ninguém vê. O Girona perde um futebolista; ele perde bastante mais do que uma época.
Há uma idade a partir da qual toda a boa tarde é descrita como uma recordação do passado, o que é injusto e também exato. 7.85 aos 34, e ninguém no campo esteve melhor.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do Girona, e não vai ser retirado.
Valor acertado, contrato acertado, exames marcados. Cody Frimpong será jogador de outro clube até ao fim de semana, e no Girona as despedidas começaram em silêncio.
Já são 3 vitórias seguidas, e a pergunta deixou de ser se a série acaba para passar a ser quem a acaba. Confiança assim não se compra; ganha-se exatamente desta maneira.
Nicolás Pedrazzini esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Os ossos colam. É a única coisa clemente desta lesão e a razão por que no Girona falarão dela mais abertamente do que de um joelho. Ele vai voltar, e mais ou menos quando disserem.
Nem agora, nem a nenhum preço que o clube estivesse disposto a dizer em voz alta. O Villarreal fica com o seu homem, e o Girona volta a uma lista com um nome riscado.
A primeira derrota em 8 jogos. O treinador dirá que tinha de chegar; o balneário dirá que não tinha de chegar contra o Atlético Madrid; os adeptos dirão as duas coisas, por essa ordem, a semana inteira.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Girona coisas que levam mais de uma semana a retirar.
Direção20/08/2035
7 jogadores da formação recebem número de equipa principal no Girona
A manhã em que o percurso deixa de ser um folheto e passa a ser uma ficha de jogo. A maioria não estará cá daqui a três anos; todos já fizeram a parte difícil, que era chegar a hoje.
Yacouba Meïté lesiona os ligamentos do joelho — 26 dias de fora
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 26 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
Um osso, que é a única lesão que vem com calendário. O Girona vai anunciar uma data de regresso e, o que é raro neste negócio, provavelmente vai acertar.
Mercado18/06/2035
O Girona paga $17.9M ao Sevilla por uma melhoria a sério
O Sevilla não queria vender e o número é a razão por que o fez. $17.9M por Tomás Parmo, e a expectativa que chega com ele não é suavizada por nenhum período de adaptação.
$10.0M em cima da mesa do Atlético Madrid. O treinador queria-o, a direção acertou um número, e as únicas vozes que faltam ouvir são as do outro clube.
A última coisa numa transferência que ainda depende do jogador é a assinatura nas suas próprias condições, e está lá. O Girona perdeu-o em tudo menos nos papéis.
O Girona perguntou e o Athletic Bilbao disse que não sem discutir um valor. É a resposta menos ambígua do futebol, e a que os clubes mais vezes voltam para testar.
«Tenho ambições e gostava que o clube as partilhasse.» Ninguém pediu para sair nem foi mandado embora — mas um jogador escolhe essa frase com cuidado, e uma administração ouve-a exactamente como foi pensada.
Os clubes tinham acordado e o jogador não. Uma nega, e pública: o Sevilla fica com ele, e os adeptos daqui ficam a perguntar-se o que lhe terão dito sobre esta casa.
Gastón Valles e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
Em resumo
As bancadasO Girona gasta $17.9M na contratação que a cidade queria
$75.7M era o máximo que o clube pagaria, e o Manchester United pedia mais. Negócios destes ressuscitam na última semana do mercado mais ou menos metade das vezes, e todos os envolvidos o sabem.
A camisola ainda lhe serve. Aingeru Olabarrieta está de volta ao Sevilla, e metade do estádio ainda o lembra com estas cores. Há contratações que é preciso vender à cidade; esta vendeu-se sozinha.
A perseguição a Oskar Spiten-Nysæter terminou com $8.5M a mudar de mãos e o Athletic Bilbao sem razões para dizer que não. Os adeptos julgarão o valor da única maneira que conta: aos sábados.
Nem agora, nem a nenhum preço que o clube estivesse disposto a dizer em voz alta. O Levante fica com o seu homem, e o Sevilla volta a uma lista com um nome riscado.
Francesco Pio Esposito e um colega disseram esta semana coisas que vão levar mais do que uma semana a desdizer. Não foi sobre futebol, e ambos jogam no sábado.
Há uma versão de cada carreira em que o jogador acaba onde escolheu e não onde o escolheram. Aingeru Olabarrieta está a viver essa versão no Sevilla, e costuma notar-se no primeiro mês.
Em resumo
O bancoDeclan Rice tornou-se um homem de confiança do treinador
Plantel10 caras novas e o Sevilla ainda se está a conhecer
PlantelNão há lugar para Yussif Saidu no desenho novo
33 dias no comunicado, e por trás dele um ano de recuperação silenciosa, sem ninguém a ver. O Girona perde um jogador por uma época; ele perde algo mais difícil de nomear.
Os clubes acertaram a verba e ele acertou o salário. Faltam os exames médicos e uma fotografia, e à volta do Girona já se começa a dizer o nome dele no passado.
Um osso, que é a única lesão que vem com calendário. O Girona vai anunciar uma data de regresso e, o que é raro neste negócio, provavelmente vai acertar.
O Girona perguntou e o Atlético Madrid disse que não sem discutir um valor. É a resposta menos ambígua do futebol, e a que os clubes mais vezes voltam para testar.
Há futebolistas que fazem uma boa temporada e futebolistas por quem uma temporada é recordada; aos segundos leem-lhes o nome num salão no verão. No Girona estarão discretamente encantados e, em privado, nervosos.
O Sevilla foi ao Manchester United com uma proposta, e os adeptos foram à internet com uma opinião sobre ela. Se alguma das duas muda alguma coisa, decide o clube vendedor.
Exames médicos, uma assinatura, uma camisola levantada à frente de um painel de patrocinadores. O Sevilla fez a parte difícil com o Celta, e a parte que falta é a única que os adeptos veem.
A última coisa numa transferência que ainda depende do jogador é a assinatura nas suas próprias condições, e está lá. O Sevilla perdeu-o em tudo menos nos papéis.
O Real Madrid não queria vender e o número é a razão por que o fez. $23.2M por Héctor Fort, e a expectativa que chega com ele não é suavizada por nenhum período de adaptação.
O Girona pagou $22.7M e o Sevilla aceitou, o que é a história toda numa frase. A versão longa fala do orçamento salarial e vai ser contada a época inteira.
Todos os futebolistas têm uma resposta para a pergunta sobre o clube da infância, e a maioria nunca chega a agir sobre ela. Héctor Fort agiu, no Sevilla, e o primeiro mês vai mostrar o que isso faz a um homem.
Em resumo
Alvos de mercadoPorta fechada: Gonzalo fica onde está
O aperto de mão com o Celta está dado; o do jogador ainda não. Seguem-se as condições pessoais, e é nas condições pessoais que morrem mais negócios do que alguém imprime.
O Sevilla ofereceu $53.6M; o Barcelona disse que nem perto. Ao treinador dirão que o dinheiro continua lá para o jogador certo, que é o que se diz aos treinadores.
O Sevilla foi ao Celta com uma proposta, e os adeptos foram à internet com uma opinião sobre ela. Se alguma das duas muda alguma coisa, decide o clube vendedor.
«Quero ganhar coisas e gostava de o fazer aqui.» Não se exigiu nada nem se ameaçou nada, mas uma direção como a de Sevilla ouve uma frase destas exatamente como foi construída.
44 jogos sem perder em casa. As equipas visitantes chegam já a falar do ambiente, o que costuma ser sinal de que perderam meio jogo antes do pontapé de saída.
18 golos e uma média de 7.46 na época têm esse efeito. O espaço que ele costumava encontrar desapareceu; continua a marcar na mesma, que é a marca dos verdadeiros.
«Quero ganhar coisas e gostava de o fazer aqui.» Não se exigiu nada nem se ameaçou nada, mas uma direção como a de Sevilla ouve uma frase destas exatamente como foi construída.
39 jogos sem perder em casa. As equipas visitantes chegam já a falar do ambiente, o que costuma ser sinal de que perderam meio jogo antes do pontapé de saída.
Já são 17 vitórias seguidas, e a pergunta deixou de ser se a série acaba para passar a ser quem a acaba. Confiança assim não se compra; ganha-se exatamente desta maneira.
Um dérbi nunca é só futebol, mas o futebol ajudou: 5‑0, e a bancada visitante esvaziou cedo. O direito de mandar bocas fica renovado por mais uma época.
Marcar a qualquer outro é um golo. Marcar-lhes a eles é uma história que leva o nome de quem marcou durante uma década, e os adeptos do Sevilla já começaram a contá-la.
17 golos e uma média de 7.47 na época têm esse efeito. O espaço que ele costumava encontrar desapareceu; continua a marcar na mesma, que é a marca dos verdadeiros.
«Quero ganhar coisas e gostava de o fazer aqui.» Não se exigiu nada nem se ameaçou nada, mas uma direção como a de Sevilla ouve uma frase destas exatamente como foi construída.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Sevilla coisas que levam mais de uma semana a retirar.
14 triunfos consecutivos como visitante. As equipas que ganham fora costumam saber defender e contra-atacar, e a tabela começou a refletir o que essas viagens renderam.
Chegou por uma verba e sai por uma fração dela. $4.0M do que o Sevilla pagou por Mateo Mejía é dinheiro que o clube não volta a ver, e a direção será interpelada sobre isso durante duas épocas.
«Quero ganhar coisas e gostava de o fazer aqui.» Não se exigiu nada nem se ameaçou nada, mas uma direção como a de Sevilla ouve uma frase destas exatamente como foi construída.
Mercado05/02/2035
Tão perto: a transferência de Tomás Parmo morre em cima da hora
O valor estava acertado e o voo já tinha sido visto — e então o telefone deixou de tocar. O Atlético Madrid seguiu em frente, Tomás Parmo apresenta-se de volta no Sevilla, e todos fingem que segunda-feira é só uma segunda-feira.
«A assinatura mais fácil da minha carreira.» Matías Soulé e o Sevilla acertam mais 3 anos, e o treinador pode planear a equipa à volta dele, em vez de planear o que fazer com ele.
Direção05/02/2035
O prazo passa com 5 contratações e 10 saídas
Está feito o negócio no Sevilla até o mercado voltar a abrir. Se chegou, responde-se aos sábados e não numa coluna, e o primeiro sábado está perto.
15 golos e uma média de 7.23 na época têm esse efeito. O espaço que ele costumava encontrar desapareceu; continua a marcar na mesma, que é a marca dos verdadeiros.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
O Sevilla torna a sua casa um sítio difícil de visitar
30 sem derrota no seu relvado. O campo não mudou; a bancada sim — mais barulhenta mais cedo e mais rápida a perceber quando o adversário preferia estar noutro lado.
A série sem derrotas chega aos 24 jogos. Uns foram vitórias e outros fugas, mas uma equipa que se recusa a perder é uma equipa de que os outros balneários falam.
Os ossos colam. É a única coisa clemente desta lesão e a razão por que no Sevilla falarão dela mais abertamente do que de um joelho. Ele vai voltar, e mais ou menos quando disserem.
Os jogos da taça esperam que alguém os agarre, e Tomás Parmo agarrou este contra o Eibar. 1‑0 no fim, e no sorteio da próxima ronda está o nome do Sevilla.
10 triunfos consecutivos como visitante. As equipas que ganham fora costumam saber defender e contra-atacar, e a tabela começou a refletir o que essas viagens renderam.
Aos 33 devia estar a gerir os seus minutos. Em vez disso foi avaliado com 8.21 e pareceu, durante noventa minutos, exatamente o jogador de que toda a gente se lembra.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Sevilla coisas que levam mais de uma semana a retirar.
500 jogos com esta camisola, através de treinadores, descidas e tudo o resto. Uma entrega assim está a desaparecer do futebol, e a bancada sabe o que está a ver.
A dinâmica não se compra e perde-se depressa; neste momento o Sevilla tem 17 vitórias seguidas dela.
Jogo02/12/2034
O Sevilla torna a sua casa um sítio difícil de visitar
28 sem derrota no seu relvado. O campo não mudou; a bancada sim — mais barulhenta mais cedo e mais rápida a perceber quando o adversário preferia estar noutro lado.
Brutal, inequívoco e, apesar do horror do momento, normalmente menos determinante para uma carreira do que o ligamento que todos temem mais. 35 dias, um calendário limpo e uma data de regresso com que se pode mesmo planear.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do Sevilla, e não vai ser retirado.
Os clubes chegaram a acordo, e o que falta é formalidade: exames médicos, uma fotografia, uma assinatura. No Sevilla ninguém finge que ele voltará a vestir a camisola.
“Quero jogar por troféus enquanto as pernas mo permitirem.” Nada nessa frase é um pedido de transferência, e ninguém no Sevilla a ouviu como outra coisa.
14 vitórias seguidas mudam a forma como o adversário aquece: mais calado, mais olhares de esguelha. As séries acabam, toda a gente o sabe — mas neste balneário ninguém conta com isso.
2‑1 frente ao Betis, e os cânticos continuaram muito depois do apito. As classificações vêm e vão; dias assim contam-se aos jantares de família durante anos.
7 triunfos consecutivos como visitante. As equipas que ganham fora costumam saber defender e contra-atacar, e a tabela começou a refletir o que essas viagens renderam.
“Quero jogar por troféus enquanto as pernas mo permitirem.” Nada nessa frase é um pedido de transferência, e ninguém no Sevilla a ouviu como outra coisa.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Sevilla coisas que levam mais de uma semana a retirar.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
O banco16/10/2034
Declan Rice tornou-se um homem de confiança do treinador
Ninguém no Sevilla dirá isto para gravador e as fichas de jogo dizem-no há semanas. Em qualquer plantel há um grupo pequeno a que se recorre quando o jogo é difícil, e ele já lá está.
Todas as conferências de imprensa começam e acabam agora da mesma maneira: com o futuro de Matías Soulé. Ao treinador esgotaram-se as formas novas de não dizer nada.
«Já durava há demasiado tempo. Prefiro dizê-lo na cara do que deixar aquilo ali.» Dez minutos à porta fechada em Sevilla, e os dois saíram a dizer que estava tudo bem.
Nada por escrito e nada em público: uma palavra sobre minutos, dada cara a cara no Sevilla. As fichas de jogo do próximo mês dirão se valia a pena tê-la.
Faltam 5 meses, e ambos os lados sabem o que isso significa: cada semana sem assinatura baixa o valor que o Sevilla pode pedir e sobe o salário que Brennan Johnson pode exigir.
10 vitórias seguidas mudam a forma como o adversário aquece: mais calado, mais olhares de esguelha. As séries acabam, toda a gente o sabe — mas neste balneário ninguém conta com isso.
Aos 35 devia estar a gerir os seus minutos. Em vez disso foi avaliado com 8.24 e pareceu, durante noventa minutos, exatamente o jogador de que toda a gente se lembra.
9 convocatórias são um elogio ao plantel e uma dor de cabeça para quem o dirige. Vai recebê-los de volta daqui a quinze dias, cansados e em vários estados de conservação.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Karim Adeyemi está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
«Disseram-me coisas antes de eu assinar. Não as vou repetir, mas lembro-me de todas.» Sevilla nada responderam, o que também é uma resposta.
Mercado11/09/2034
Tão perto: a transferência de Brennan Johnson morre em cima da hora
O valor estava acertado e o voo já tinha sido visto — e então o telefone deixou de tocar. O Atlético Madrid seguiu em frente, Brennan Johnson apresenta-se de volta no Sevilla, e todos fingem que segunda-feira é só uma segunda-feira.
“Quero jogar por troféus enquanto as pernas mo permitirem.” Nada nessa frase é um pedido de transferência, e ninguém no Sevilla a ouviu como outra coisa.
O telefone voltou a tocar por causa de Lucien Agoumé, e desta vez do outro lado está o Atlético Madrid. No Sevilla ouvem com educação e não prometem nada.
“Tentei. Tentei mesmo, e todos os dias acordo no sítio errado.” No Sevilla ninguém consegue treinar isso para fora de um homem, e ninguém lá finge que consegue.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
O banco11/09/2034
Declan Rice tornou-se um homem de confiança do treinador
Ninguém no Sevilla dirá isto para gravador e as fichas de jogo dizem-no há semanas. Em qualquer plantel há um grupo pequeno a que se recorre quando o jogo é difícil, e ele já lá está.
Em resumo
PlantelDemasiada mudança demasiado depressa no Sevilla
MercadoA conversa sobre Matías Soulé não desaparece
O Sevilla foi ao Celta com uma proposta, e os adeptos foram à internet com uma opinião sobre ela. Se alguma das duas muda alguma coisa, decide o clube vendedor.
O telefone voltou a tocar por causa de Lucien Agoumé, e desta vez do outro lado está o Atlético Madrid. No Sevilla ouvem com educação e não prometem nada.
Não está a ser deixado de fora. Simplesmente não há, no sistema que o Sevilla joga, sítio onde pôr um homem que faz o que ele faz, o que é mais difícil de ouvir do que qualquer ficha de jogo.
Nunca é anunciado e é totalmente visível: as maiores tardes da época continuam a incluí-lo. Uma tribuna de imprensa percebe isto muito antes de alguém no clube confirmar uma palavra.
O Sporting CP queria mais do que $32.7M e a direção não foi por aí. Levantou-se da mesa, por agora, o que em pleno mercado quer dizer até alguém pestanejar.
«Quero ganhar coisas e gostava de o fazer aqui.» Não se exigiu nada nem se ameaçou nada, mas uma direção como a de Sevilla ouve uma frase destas exatamente como foi construída.
O Sevilla perguntou e o Barcelona disse que não sem discutir um valor. É a resposta menos ambígua do futebol, e a que os clubes mais vezes voltam para testar.
Karim Adeyemi esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Todos os desenhos têm posições e este não tem a dele. O Sevilla vai mudar o desenho, mudar-lhe a função ou mudar-lhe o clube, e ele está à espera de saber qual.
O banco24/07/2034
Florian Wirtz tornou-se um homem de confiança do treinador
Ninguém no Sevilla dirá isto para gravador e as fichas de jogo dizem-no há semanas. Em qualquer plantel há um grupo pequeno a que se recorre quando o jogo é difícil, e ele já lá está.
Plantel24/07/2034
11 caras novas e o Sevilla ainda se está a conhecer
Um plantel reconstruído num único mercado paga-o numa moeda que ninguém orça. O futebol não é pior do que a soma dos jogadores: é pior do que a soma dos jogadores que já jogaram juntos.
“Trinta minutos, porta fechada, tudo dito. Apertámos as mãos no fim.” O que estava na sala ficou na sala, e Ansu Fati treinou na manhã seguinte como um homem com menos para carregar.
Mais uma semana, mais um rumor, mais um desmentido em que ninguém acredita bem. O Sevilla sabe que quem decide estas coisas é o mercado, não as páginas desportivas — mas as páginas desportivas fazem mais barulho.
Os clubes acertaram a verba e ele acertou o salário. Faltam os exames médicos e uma fotografia, e à volta do Sevilla já se começa a dizer o nome dele no passado.
Nem agora, nem a nenhum preço que o clube estivesse disposto a dizer em voz alta. O Villarreal fica com o seu homem, e o Sevilla volta a uma lista com um nome riscado.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do Sevilla, e não vai ser retirado.
O Barcelona queria mais do que $3.1M e a direção não foi por aí. Levantou-se da mesa, por agora, o que em pleno mercado quer dizer até alguém pestanejar.
Todos os futebolistas têm uma resposta para a pergunta sobre o clube da infância, e a maioria nunca chega a agir sobre ela. Natan agiu, no Sevilla, e o primeiro mês vai mostrar o que isso faz a um homem.
Flavien-Enzo Boyomo e um colega disseram esta semana coisas que vão levar mais do que uma semana a desdizer. Não foi sobre futebol, e ambos jogam no sábado.
Um prémio individual é coisa estranha num desporto de equipa, e os melhores não se discutem. Teve o tipo de ano que acaba com o seu nome lido em voz alta, e o Sevilla beneficiou disso.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para Guille Rosas, e o treinador deixou.
O banco29/05/2034
Santiago Castro tornou-se um homem de confiança do treinador
Ninguém no Sevilla dirá isto para gravador e as fichas de jogo dizem-no há semanas. Em qualquer plantel há um grupo pequeno a que se recorre quando o jogo é difícil, e ele já lá está.
6 reforços numa só janela. Cada um pode ser uma melhoria e a equipa pode ainda assim ser pior durante uns tempos, que é a parte de uma reconstrução de que os veredictos nunca falam.
Todas as conferências de imprensa começam e acabam agora da mesma maneira: com o futuro de Santiago Castro. Ao treinador esgotaram-se as formas novas de não dizer nada.
Uma conversa no gabinete do treinador, e um compromisso que saiu dela. Promessas assim são baratas de fazer e caras de quebrar, e Ansu Fati apontou a data.
21 jogos sem perder em casa. As equipas visitantes chegam já a falar do ambiente, o que costuma ser sinal de que perderam meio jogo antes do pontapé de saída.
A dinâmica não se compra e perde-se depressa; neste momento o Sevilla tem 3 vitórias seguidas dela.
Plantel22/05/2034
Santiago Castro desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para Ansu Fati, e o treinador deixou.
O banco27/03/2034
Santiago Castro tornou-se um homem de confiança do treinador
Ninguém no Sevilla dirá isto para gravador e as fichas de jogo dizem-no há semanas. Em qualquer plantel há um grupo pequeno a que se recorre quando o jogo é difícil, e ele já lá está.
Todas as conferências de imprensa começam e acabam agora da mesma maneira: com o futuro de Santiago Castro. Ao treinador esgotaram-se as formas novas de não dizer nada.
Segue-se o Athletic Bilbao, e há um homem no balneário do Sevilla que conhece o centro de treinos deles melhor do que o seu. A receção vai dizer-lhe o que pensavam dele.
Já são 15 vitórias seguidas, e a pergunta deixou de ser se a série acaba para passar a ser quem a acaba. Confiança assim não se compra; ganha-se exatamente desta maneira.
Valor acertado, contrato acertado, exames marcados. Diego López será jogador de outro clube até ao fim de semana, e no Sevilla as despedidas começaram em silêncio.
Uma média de 7.32 na época, com 22 golos a sustentá-la. Os adversários começaram a planear jogos a pensar nele, que é o elogio mais sincero que o futebol faz.
É a ambição mais legítima do desporto e a mais difícil de satisfazer para a maioria dos clubes. Santiago Castro quer futebol continental; se o Sevilla o consegue oferecer é uma pergunta sobre as próximas duas épocas, não sobre ele.
Jogo18/03/2034
Mais uma trazida de fora
6 seguidas na estrada para o Sevilla. Os autocarros saem cedo, chegam de noite a estádios pouco simpáticos, e voltam sempre com três pontos.
Um 1‑0 sobre o Atlético Madrid, conquistado e não oferecido, e o tipo de tarde que manda toda a gente para casa a falar da próxima semana em vez desta.
Com 7 jogadores ao serviço das seleções, os treinos são pequenos e o treinador até consegue ouvir-se. É a única pausa da época, e nunca sabe bem a uma.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para Tomás Parmo, e o treinador deixou.
Uma média de 7.30 na época, com 21 golos a sustentá-la. Os adversários começaram a planear jogos a pensar nele, que é o elogio mais sincero que o futebol faz.
Os clubes chegaram a acordo, e o que falta é formalidade: exames médicos, uma fotografia, uma assinatura. No Sevilla ninguém finge que ele voltará a vestir a camisola.
“Quero jogar por troféus enquanto as pernas mo permitirem.” Nada nessa frase é um pedido de transferência, e ninguém no Sevilla a ouviu como outra coisa.
«Dei tudo a isto, mas a minha família não está aqui — e eu também não, na verdade.» A um futebolista corrige-se a má fase. Disto nunca ninguém foi corrigido, e no Sevilla sabem-no.
A verba é $52.4M, o contrato está assinado, e a discussão sobre se ele vale o preço pode começar. O Real Madrid negociou duro; o tempo dirá quem ganhou.
Os clubes acertaram a verba e ele acertou o salário. Faltam os exames médicos e uma fotografia, e à volta do Sevilla já se começa a dizer o nome dele no passado.
Nem agora, nem a nenhum preço que o clube estivesse disposto a dizer em voz alta. O Barcelona fica com o seu homem, e o Sevilla volta a uma lista com um nome riscado.
O Barcelona queria mais do que $9.3M e a direção não foi por aí. Levantou-se da mesa, por agora, o que em pleno mercado quer dizer até alguém pestanejar.
A proposta seguiu esta semana para o Estudiantes, e a resposta é deles. As primeiras propostas raramente são para vingar; são para descobrir com que força a porta se fecha.
A proposta seguiu esta semana para o Atlético Madrid, e a resposta é deles. As primeiras propostas raramente são para vingar; são para descobrir com que força a porta se fecha.
O Real Madrid aceitou o dinheiro. O que o Sevilla ainda não tem é o homem, e entre aqui e a fotografia há uma conversa sobre salários que os dois lados temem.
A proposta do Albacete por Brennan Johnson foi ouvida e devolvida no próprio dia. As primeiras propostas raramente são para vingar; são para descobrir com que força a porta se fecha.
Os clubes acertaram a verba e ele acertou o salário. Faltam os exames médicos e uma fotografia, e à volta do Sevilla já se começa a dizer o nome dele no passado.
O Sevilla foi ao Barcelona com uma proposta, e os adeptos foram à internet com uma opinião sobre ela. Se alguma das duas muda alguma coisa, decide o clube vendedor.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do Sevilla, e não vai ser retirado.
O Barcelona queria mais do que $7.9M e a direção não foi por aí. Levantou-se da mesa, por agora, o que em pleno mercado quer dizer até alguém pestanejar.
A série sem derrotas chega aos 10 jogos. Uns foram vitórias e outros fugas, mas uma equipa que se recusa a perder é uma equipa de que os outros balneários falam.
Perguntam tantas vezes aos futebolistas pelo clube da infância que ninguém ouve a resposta. Jones El-Abdellaoui acabou de assinar pelo Sevilla e, por uma vez, a resposta importava.
A série sem derrotas chega aos 8 jogos. Uns foram vitórias e outros fugas, mas uma equipa que se recusa a perder é uma equipa de que os outros balneários falam.
Todas as séries acabam numa tarde que alguém tinha dado como rotina. Esta durou 7 jogos, o suficiente para uma cidade ter deixado de contar, e pouco o suficiente para se lembrar exatamente de quem a parou.
Há um número a partir do qual uma massa salarial deixa de ser ambiciosa e passa a ser a razão de mais nada ser possível, e este clube chegou lá. Não sobra nada para um reforço, para uma bancada ou para uma tarde de chuva.
“O treinador não usou muitas palavras, e não precisou delas.” Nicolás Azambuja tem a sua resposta do Sevilla; o que fizer com ela é a história da próxima janela.
Todos os treinadores guardam na cabeça uma lista curta dos homens que querem em campo quando a fasquia sobe, e nunca é publicada. As fichas de jogo das tardes grandes dizem que Santiago Castro está nela.
Foi desmentida duas vezes e impressa três, que é a aritmética do costume. Até Santiago Castro assinar alguma coisa — um contrato no Sevilla ou noutro lado qualquer —, esta coluna é dele.