Os clubes chegaram a acordo, e o que falta é formalidade: exames médicos, uma fotografia, uma assinatura. No Cercle Brugge ninguém finge que ele voltará a vestir a camisola.
É a ambição mais legítima do desporto e a mais difícil de satisfazer para a maioria dos clubes. Jan Ziółkowski quer futebol continental; se o Cercle Brugge o consegue oferecer é uma pergunta sobre as próximas duas épocas, não sobre ele.
Yusuf Kabadayı e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
3 jogos sem golo. Os avançados deixam de levantar a cabeça, os médios dão o toque a mais, e cada remate que passa por cima é seguido de um lamento que se acumula desde o último golo.
“Continuamos a reunir-nos, e continuamos a sair da sala com os mesmos números com que entrámos.” Mais uma ronda de conversas no Cercle Brugge, mais uma semana sem a assinatura de Josh Coburn.
“Tentei. Tentei mesmo, e todos os dias acordo no sítio errado.” No Cercle Brugge ninguém consegue treinar isso para fora de um homem, e ninguém lá finge que consegue.
O treinador reorganizou as ideias e Waldemar Anton saiu delas mais abaixo. Vão dizer-lhe que é temporário, e os jogadores que já ouviram isso antes vão desviar o olhar.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para Waldemar Anton, e o treinador deixou.
Valor acertado, contrato acertado, exames marcados. Lazar Peranović será jogador de outro clube até ao fim de semana, e no Cercle Brugge as despedidas começaram em silêncio.
Vai jogar aqui até ao verão e depois sair pela porta de graça, tendo já assinado noutro lado. Os adeptos aguentam a primeira parte desta frase; é com a segunda que vão ter dificuldade.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Cercle Brugge coisas que levam mais de uma semana a retirar.
Plantel11/02/2036
Palavras no treino do Cercle Brugge sobre quem trabalha
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Afonso Patrão está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
«Dei tudo a isto, mas a minha família não está aqui — e eu também não, na verdade.» A um futebolista corrige-se a má fase. Disto nunca ninguém foi corrigido, e no Cercle Brugge sabem-no.
Há um nível em que um futebolista deixa de ser posto à prova e passa apenas a ser contido, e ele chegou lá há algum tempo. No Cercle Brugge sabem-no, e também todos os que o veem.
“Lembro-me da reunião. Lembro-me exatamente do que lá foi prometido.” O Cercle Brugge pode lembrar-se de outra maneira, o que é precisamente o problema.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do Cercle Brugge, e não vai ser retirado.
Flávio Nazinho e um colega disseram esta semana coisas que vão levar mais do que uma semana a desdizer. Não foi sobre futebol, e ambos jogam no sábado.
Plantel10/12/2035
Jayden Onia Seke desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para Toni Silić, e o treinador deixou.
«Há manhãs em que acordas e tudo o que conheces continua longíssimo.» Não é o futebol e nunca foi: o Cercle Brugge lida com um homem que quer outro país.
Há tardes em que o guarda-redes é a equipa inteira. Foram 7 defesas, várias delas do género que ninguém espera ver travado, e um resultado final que fica bem a toda a gente à frente dele.
As bancadas05/11/2035
As bancadas já chegaram ao limite
«Andamos atrás de vocês por todo o lado e recebemos isto.» 8 dos 38 jogadores do plantel principal ouviram-no ao sair, e quem não ouviu é porque não jogou.
Valor acertado, contrato acertado, exames marcados. Nilo Neuendorff será jogador de outro clube até ao fim de semana, e no Cercle Brugge as despedidas começaram em silêncio.
«Não tenho nada de mau a dizer deste sítio. Só preciso de estar noutro.» Já está escrito, e isso muda aquilo que Cercle Brugge podem fingir não ter ouvido.
Todos os futebolistas têm uma resposta para a pergunta sobre o clube da infância, e a maioria nunca chega a agir sobre ela. Nikolay Grudev agiu, no Cercle Brugge, e o primeiro mês vai mostrar o que isso faz a um homem.
Valor acertado, contrato acertado, exames marcados. Luca Castillo será jogador de outro clube até ao fim de semana, e no Cercle Brugge as despedidas começaram em silêncio.
«Não tenho nada de mau a dizer deste sítio. Só preciso de estar noutro.» Já está escrito, e isso muda aquilo que Cercle Brugge podem fingir não ter ouvido.
A versão geral desta queixa é que um jogador quer mais. A versão concreta dá-lhe nome: quer entrar sob os holofotes contra clubes de outros países, e deixou de fingir o contrário.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Afonso Patrão estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
«Há manhãs em que acordas e tudo o que conheces continua longíssimo.» Não é o futebol e nunca foi: o Cercle Brugge lida com um homem que quer outro país.
Não está a ser deixado de fora. Simplesmente não há, no sistema que o Cercle Brugge joga, sítio onde pôr um homem que faz o que ele faz, o que é mais difícil de ouvir do que qualquer ficha de jogo.
«Agradeço os jogos, mas não me fiz futebolista para ser a peça sobresselente de alguém.» Quer estar em Cercle Brugge, e 5 jogos em 12 dizem que merece ser ouvido.
Agustín Juárez lesiona os ligamentos do joelho — 21 dias de fora
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 21 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
Os clubes acertaram a verba e ele acertou o salário. Faltam os exames médicos e uma fotografia, e à volta do Independiente já se começa a dizer o nome dele no passado.
Chegou por uma verba e sai por uma fração dela. $84.1K do que o Independiente pagou por Franco Domínguez Ávila é dinheiro que o clube não volta a ver, e a direção será interpelada sobre isso durante duas épocas.
“Lembro-me da reunião. Lembro-me exatamente do que lá foi prometido.” O Independiente pode lembrar-se de outra maneira, o que é precisamente o problema.
Valor acertado, contrato acertado, exames marcados. Erick Garcia será jogador de outro clube até ao fim de semana, e no Independiente as despedidas começaram em silêncio.
Os centrais têm licença para subir duas vezes por época e são julgados pelo que fazem quando lá chegam. Santiago Salle marcou, foi avaliado com 7.56 e voltou antes de alguém dar pela falta.
Direção24/07/2034
O Independiente fecha o mercado com um plantel feito por si
7 entradas e 14 saídas, e nenhuma mudança durante meses. O treinador tem o que tem, os adeptos têm a sua opinião sobre isso, e a tabela terá a última palavra.
A proposta ficou longe e foi recusada quase sem discussão. Se a segunda for recusada com a mesma rapidez já é outra conversa.
Plantel24/07/2034
Uma transferência que Arsene Mekila teria feito de graça
Há uma versão de cada carreira em que o jogador acaba onde escolheu e não onde o escolheram. Arsene Mekila está a viver essa versão no Independiente, e costuma notar-se no primeiro mês.
Agustín Juárez lesiona os ligamentos do joelho — 49 dias de fora
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 49 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
Os clubes acertaram a verba e ele acertou o salário. Faltam os exames médicos e uma fotografia, e à volta do Independiente já se começa a dizer o nome dele no passado.
Os ossos colam. É a única coisa clemente desta lesão e a razão por que no Independiente falarão dela mais abertamente do que de um joelho. Ele vai voltar, e mais ou menos quando disserem.
Os clubes chegaram a acordo, e o que falta é formalidade: exames médicos, uma fotografia, uma assinatura. No Independiente ninguém finge que ele voltará a vestir a camisola.
A proposta do Belgrano por Octavio Padovani foi ouvida e devolvida no próprio dia. As primeiras propostas raramente são para vingar; são para descobrir com que força a porta se fecha.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Independiente coisas que levam mais de uma semana a retirar.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Facundo Quintana estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
Nem agora, nem a nenhum preço que o clube estivesse disposto a dizer em voz alta. O O'Higgins fica com o seu homem, e o Independiente volta a uma lista com um nome riscado.
Valor acertado, contrato acertado, exames marcados. Erick Garcia será jogador de outro clube até ao fim de semana, e no Independiente as despedidas começaram em silêncio.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Independiente coisas que levam mais de uma semana a retirar.
Todos os futebolistas têm uma resposta para a pergunta sobre o clube da infância, e a maioria nunca chega a agir sobre ela. Joaquin Dalmasso agiu, no Independiente, e o primeiro mês vai mostrar o que isso faz a um homem.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Tiago Cravero estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
O banco29/05/2034
Santiago Salle tornou-se um homem de confiança do treinador
Ninguém no Independiente dirá isto para gravador e as fichas de jogo dizem-no há semanas. Em qualquer plantel há um grupo pequeno a que se recorre quando o jogo é difícil, e ele já lá está.
Joaquin Dalmasso tem 34 e já não tem nada a provar. O que lhe resta é saber onde se colocar, quando baixar o ritmo e o que dizer ao intervalo, e nada disso aparece num gráfico físico.
«Já durava há demasiado tempo. Prefiro dizê-lo na cara do que deixar aquilo ali.» Dez minutos à porta fechada em Independiente, e os dois saíram a dizer que estava tudo bem.
Foi desmentida duas vezes e impressa três, que é a aritmética do costume. Até Thiago Pérez assinar alguma coisa — um contrato no Independiente ou noutro lado qualquer —, esta coluna é dele.