«Não tenho nada de mau a dizer deste sítio. Só preciso de estar noutro.» Já está escrito, e isso muda aquilo que Cerro Porteno podem fingir não ter ouvido.
Há tardes em que um guarda-redes é a defesa inteira. 7 defesas, várias do género que ninguém espera ver feitas, e dez jogadores de campo que lhe devem uma bebida.
Manuel Roffo e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
Duas equipas do topo da tabela, uma tarde, e um mês de conversa decidido em noventa minutos. O Cerro Porteno não vai usar a palavra título esta semana e não vai deixar de a pensar.
Dribles concretizados: 18. Havia sempre um defesa à frente dele, e nunca houve um defesa à frente dele por muito tempo.
O banco19/04/2027
O veredicto do treinador
“A culpa é minha. Sou eu que escolho a equipa e escolhi mal.” Os treinadores dizem isto quando o sentem e quando precisam que se veja que o dizem, e depois do 2‑3 Jose Almiron saiu da sala antes que alguém pudesse perguntar qual dos dois casos era.
Plantel19/04/2027
Iván Morel desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
Não é uma queixa nem uma exigência: quer jogar futebol europeu, e deixou de o esconder. Se o Cerro Porteno lho pode dar é uma pergunta sobre o clube, não sobre ele.
Fabricio Domínguez e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
Plantel25/01/2027
Palavras no treino do Cerro Porteno sobre quem trabalha
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Cristhian Paredes está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
“Vejo todos os jogos do Cerro Porteno daqui. Isso diz tudo sobre onde está a minha cabeça.” O empréstimo no 12 de Junio segue o seu curso, mas o coração nunca fez a viagem.
“Há decisões que levam muito tempo. Esta levou dez minutos, e a maior parte foi a encontrar uma caneta.” Jorge Peralta e o Cerro Porteno acertam mais 4 anos.
Todos os treinadores guardam na cabeça uma lista curta dos homens que querem em campo quando a fasquia sobe, e nunca é publicada. As fichas de jogo das tardes grandes dizem que Ariel Gamarra está nela.
Foi desmentida duas vezes e impressa três, que é a aritmética do costume. Até Manuel Roffo assinar alguma coisa — um contrato no Cerro Porteno ou noutro lado qualquer —, esta coluna é dele.
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
Plantel26/10/2026
10 caras novas e o Cerro Porteno ainda se está a conhecer
Um plantel reconstruído num único mercado paga-o numa moeda que ninguém orça. O futebol não é pior do que a soma dos jogadores: é pior do que a soma dos jogadores que já jogaram juntos.
O banco26/10/2026
Ariel Gamarra tornou-se um homem de confiança do treinador
Ninguém no Cerro Porteno dirá isto para gravador e as fichas de jogo dizem-no há semanas. Em qualquer plantel há um grupo pequeno a que se recorre quando o jogo é difícil, e ele já lá está.
As regras permitem-no e dói na mesma. Enzo Cabrera acertou condições com o 12 de Junio para o verão e, até lá, veste esta camisola como quem já escolheu a seguinte.
Manuel Roffo esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Plantel21/09/2026
Palavras no treino do Cerro Porteno sobre quem trabalha
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Iván Morel está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
O banco21/09/2026
Mateo Klimowicz tornou-se um homem de confiança do treinador
Ninguém no Cerro Porteno dirá isto para gravador e as fichas de jogo dizem-no há semanas. Em qualquer plantel há um grupo pequeno a que se recorre quando o jogo é difícil, e ele já lá está.
Perguntou pelo seu futuro e recebeu uma resposta com minutos lá dentro. O treinador fez uma promessa num edifício onde as promessas não se esquecem, e o relógio já começou a contar.
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
O banco14/09/2026
Ariel Gamarra tornou-se um homem de confiança do treinador
Ninguém no Cerro Porteno dirá isto para gravador e as fichas de jogo dizem-no há semanas. Em qualquer plantel há um grupo pequeno a que se recorre quando o jogo é difícil, e ele já lá está.
Todas as conferências de imprensa começam e acabam agora da mesma maneira: com o futuro de Jonatan Torres. Ao treinador esgotaram-se as formas novas de não dizer nada.
Perguntou pelo seu futuro e recebeu uma resposta com minutos lá dentro. O treinador fez uma promessa num edifício onde as promessas não se esquecem, e o relógio já começou a contar.
“Sei o que as pessoas vão dizer. Sei o que quero, e é aqui.” O Kozármisleny tinha a verba acordada e a camisola pronta; não tinha o jogador, e agora não o vai ter.
Não há pior forma de perder um futebolista. Edgar Páez pré-acordou a saída, o que significa que cada jogo daqui até junho é feito por um homem que o clube já não pode vender, e alguém lá em cima vai ter de explicar como se chegou aqui.
A versão geral desta queixa é que um jogador quer mais. A versão concreta dá-lhe nome: quer entrar sob os holofotes contra clubes de outros países, e deixou de fingir o contrário.
A formação existe exatamente para esta manhã. Cristian Almiron passou por todos os escalões do clube e tem agora um número de equipa principal; os mais orgulhosos do edifício serão os que o treinaram aos doze anos.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Iván Morel estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
Treina a sério, diz o que há a dizer e volta para um apartamento vazio. No Cerro Porteno ninguém fez nada de mal, e é justamente isso que torna tudo tão difícil de resolver.
Em resumo
O bancoAriel Gamarra pede uma conversa com o treinador