33 dias na estimativa, e um ano longo, privado e sem glamour de uma recuperação que ninguém vê. O Gimnasia La Plata perde um futebolista; ele perde bastante mais do que uma época.
Marcelo Torres e um colega disseram esta semana coisas que vão levar mais do que uma semana a desdizer. Não foi sobre futebol, e ambos jogam no sábado.
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
O banco10/09/2029
O veredicto do treinador
“Estou frustrado, sinceramente. Fizemos o suficiente para ganhar e não ganhámos.” Leonardo Rodríguez não o escondia depois do 0‑0, e no balneário do Gimnasia La Plata também ninguém o escondia.
A ficha de jogo di-lo em público todas as semanas até mudar. A única versão de ficar de fora que um futebolista não consegue contestar, e a que lhe custa mais.
Nunca é anunciado e é totalmente visível: as maiores tardes da época continuam a incluí-lo. Uma tribuna de imprensa percebe isto muito antes de alguém no clube confirmar uma palavra.
“Lembro-me da reunião. Lembro-me exatamente do que lá foi prometido.” O Gimnasia La Plata pode lembrar-se de outra maneira, o que é precisamente o problema.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Gimnasia La Plata coisas que levam mais de uma semana a retirar.
Plantel14/05/2029
Jeremías Merlo desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
Tem 22 anos e o estádio já canta o nome dele, coisa que acontece aos miúdos da terra e quase nunca aos reforços. Tudo a partir daqui se mede contra um carinho que não fez nada para merecer, a não ser ser daqui.
Marcelo Torres esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Plantel12/03/2029
Jeremías Merlo desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
«Há uma distância, e fingir que não há não ajuda ninguém.» Nenhuma das partes se mexeu, e o calendário trabalha para uma delas apenas.
O banco12/03/2029
Jeremías Merlo tornou-se um homem de confiança do treinador
Ninguém no Gimnasia La Plata dirá isto para gravador e as fichas de jogo dizem-no há semanas. Em qualquer plantel há um grupo pequeno a que se recorre quando o jogo é difícil, e ele já lá está.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para Juan Manuel Centurión, e o treinador deixou.
“Não é o fim do mundo e não chega. As duas coisas são verdade.” O treinador, depois de um empate por 0‑0, disse a coisa honesta e foi dizê-la outra vez lá dentro.
Facundo Di Biasi lesiona os ligamentos do joelho — 21 dias de fora
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 21 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Gimnasia La Plata coisas que levam mais de uma semana a retirar.
Plantel22/01/2029
Gonzalo Asis desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
5 reforços numa só janela. Cada um pode ser uma melhoria e a equipa pode ainda assim ser pior durante uns tempos, que é a parte de uma reconstrução de que os veredictos nunca falam.
«Já durava há demasiado tempo. Prefiro dizê-lo na cara do que deixar aquilo ali.» Dez minutos à porta fechada em Gimnasia La Plata, e os dois saíram a dizer que estava tudo bem.
Não dá grande título e é a razão por que os jogadores acreditam na promessa seguinte. O Gimnasia La Plata disse a Nicolás Barros Schelotto que algo iria acontecer e aconteceu, o que nesta indústria já passa por notável.
Nunca é anunciado e é totalmente visível: as maiores tardes da época continuam a incluí-lo. Uma tribuna de imprensa percebe isto muito antes de alguém no clube confirmar uma palavra.
Mais uma semana, mais um rumor, mais um desmentido em que ninguém acredita bem. O Gimnasia La Plata sabe que quem decide estas coisas é o mercado, não as páginas desportivas — mas as páginas desportivas fazem mais barulho.
30 dias no comunicado, e por trás dele um ano de recuperação silenciosa, sem ninguém a ver. O Gimnasia La Plata perde um jogador por uma época; ele perde algo mais difícil de nomear.
Os clubes chegaram a acordo, e o que falta é formalidade: exames médicos, uma fotografia, uma assinatura. No Gimnasia La Plata ninguém finge que ele voltará a vestir a camisola.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do Gimnasia La Plata, e não vai ser retirado.
Marcelo Torres esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Jeremías Merlo estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
Todos os treinadores guardam na cabeça uma lista curta dos homens que querem em campo quando a fasquia sobe, e nunca é publicada. As fichas de jogo das tardes grandes dizem que Jeremías Merlo está nela.
“Trinta minutos, porta fechada, tudo dito. Apertámos as mãos no fim.” O que estava na sala ficou na sala, e Jeremías Merlo treinou na manhã seguinte como um homem com menos para carregar.
“Continuamos a reunir-nos, e continuamos a sair da sala com os mesmos números com que entrámos.” Mais uma ronda de conversas no Gimnasia La Plata, mais uma semana sem a assinatura de Jorge De Asis.
Em resumo
O bancoO treinador ainda não acabou de esquecer o erro de Alan Sosa
38 dias no comunicado, e por trás dele um ano de recuperação silenciosa, sem ninguém a ver. O Gimnasia La Plata perde um jogador por uma época; ele perde algo mais difícil de nomear.
“Ouvi, pensei, e fico. É essa a história toda.” Os clubes tinham acordado uma verba. Alejandro Almaraz não tinha acordado ir, e afinal era essa a parte que contava.
Todos os futebolistas têm uma resposta para a pergunta sobre o clube da infância, e a maioria nunca chega a agir sobre ela. Juan Manuel Centurión agiu, no Gimnasia La Plata, e o primeiro mês vai mostrar o que isso faz a um homem.
Marcelo Torres e um colega disseram esta semana coisas que vão levar mais do que uma semana a desdizer. Não foi sobre futebol, e ambos jogam no sábado.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Jeremías Merlo estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
A papelada fica pronta muito antes do jogador. Mateo Serra acertou vir quando o contrato atual terminar, o que significa que o Gimnasia La Plata substituiu um orçamento de verão por um telefonema.
Nem agora, nem a nenhum preço que o clube estivesse disposto a dizer em voz alta. O Palermo fica com o seu homem, e o Gimnasia La Plata volta a uma lista com um nome riscado.
Juan Manuel Centurión tem 20 anos, e o Gimnasia La Plata contratou-o pelo jogador que virá a ser, não pelo que já é. A equipa principal pode esperar; o sentido de um negócio destes são os anos que compra.