2 golos de vantagem e depois uma rendição lenta de tudo o que fora ganho. Dieu Michel não será o apontado, mas ninguém no Belenenses escapa à conversa que se segue a um colapso destes.
Valor acertado, contrato acertado, exames marcados. Wolmer será jogador de outro clube até ao fim de semana, e no Belenenses as despedidas começaram em silêncio.
Direção04/02/2036
O Belenenses fecha o mercado com um plantel feito por si
10 entradas e 3 saídas, e nenhuma mudança durante meses. O treinador tem o que tem, os adeptos têm a sua opinião sobre isso, e a tabela terá a última palavra.
Francisco Moura e um colega disseram esta semana coisas que vão levar mais do que uma semana a desdizer. Não foi sobre futebol, e ambos jogam no sábado.
Plantel04/02/2036
Sem Verdonk desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
Nem agora, nem a nenhum preço que o clube estivesse disposto a dizer em voz alta. O Utrecht fica com o seu homem, e o Belenenses volta a uma lista com um nome riscado.
Todos os desenhos têm posições e este não tem a dele. O Belenenses vai mudar o desenho, mudar-lhe a função ou mudar-lhe o clube, e ele está à espera de saber qual.
14 dias no comunicado, e por trás dele um ano de recuperação silenciosa, sem ninguém a ver. O Belenenses perde um jogador por uma época; ele perde algo mais difícil de nomear.
2 defendidos dos onze metros, e um estádio que vai descrever cada um deles durante vinte anos. Um guarda-redes precisa de uma noite assim numa carreira, e foi esta.
Há tardes em que um guarda-redes é a defesa inteira. 8 defesas, várias do género que ninguém espera ver feitas, e dez jogadores de campo que lhe devem uma bebida.
Os clubes chegaram a acordo, e o que falta é formalidade: exames médicos, uma fotografia, uma assinatura. No Belenenses ninguém finge que ele voltará a vestir a camisola.
A série chega a 5 e as perguntas em torno do Belenenses já não são delicadas.
Jogo03/11/2035
O Belenenses torna a sua casa um sítio difícil de visitar
10 sem derrota no seu relvado. O campo não mudou; a bancada sim — mais barulhenta mais cedo e mais rápida a perceber quando o adversário preferia estar noutro lado.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Belenenses coisas que levam mais de uma semana a retirar.
As ocasiões aparecem e algo acontece entre criá-las e finalizá-las. Já vão 3 jogos, e a inquietação nas bancadas chega um pouco mais cedo a cada semana.
95 dias no comunicado, e por trás dele um ano de recuperação silenciosa, sem ninguém a ver. O Belenenses perde um jogador por uma época; ele perde algo mais difícil de nomear.
Os ossos colam. É a única coisa clemente desta lesão e a razão por que no Belenenses falarão dela mais abertamente do que de um joelho. Ele vai voltar, e mais ou menos quando disserem.
Verba acordada, salário acordado, e o Lusitânia Lourosa à espera com uma camisola. No Belenenses ninguém finge o contrário, e os adeptos deixaram de perguntar se e passaram a perguntar quando.
Os clubes chegaram a acordo, e o que falta é formalidade: exames médicos, uma fotografia, uma assinatura. No Belenenses ninguém finge que ele voltará a vestir a camisola.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do Belenenses, e não vai ser retirado.
Brutal, inequívoco e, apesar do horror do momento, normalmente menos determinante para uma carreira do que o ligamento que todos temem mais. 54 dias, um calendário limpo e uma data de regresso com que se pode mesmo planear.
A última coisa numa transferência que ainda depende do jogador é a assinatura nas suas próprias condições, e está lá. O Belenenses perdeu-o em tudo menos nos papéis.
Valor acertado, contrato acertado, exames marcados. António Neto será jogador de outro clube até ao fim de semana, e no Belenenses as despedidas começaram em silêncio.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Belenenses coisas que levam mais de uma semana a retirar.
Plantel30/07/2035
Víctor Machado desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
Nem agora, nem a nenhum preço que o clube estivesse disposto a dizer em voz alta. O Benfica fica com o seu homem, e o Belenenses volta a uma lista com um nome riscado.