Os ossos colam. É a única coisa clemente desta lesão e a razão por que no Mjondalen falarão dela mais abertamente do que de um joelho. Ele vai voltar, e mais ou menos quando disserem.
A direcção disse em público o que já dizia em privado. Os resultados daqui até à próxima reunião decidem tudo, e no clube toda a gente sabe fazer as contas.
Todo o departamento de futebol numa sala, numa manhã de dia de semana. Nada foi anunciado depois, que é o que uma direção anuncia quando a paciência acabou.
«Não tenho nada de mau a dizer deste sítio. Só preciso de estar noutro.» Já está escrito, e isso muda aquilo que Mjondalen podem fingir não ter ouvido.
Todos os futebolistas têm uma resposta para a pergunta sobre o clube da infância, e a maioria nunca chega a agir sobre ela. Martin Bohinen agiu, no Mjondalen, e o primeiro mês vai mostrar o que isso faz a um homem.
«Nunca quis estar noutro sítio. Ainda há trabalho por acabar aqui.» Lucas Blondel compromete-se com o Mjondalen por mais 2 anos.
Plantel05/02/2035
Palavras no treino do Mjondalen sobre quem trabalha
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Wiebe Kooistra está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
Uma sondagem ao Rosenborg para um empréstimo: cobertura, ou uma vista de olhos a alguém que o clube ainda não pode comprar. De qualquer maneira, a resposta chega dentro de uma semana.
Faltavam 86 minutos e o Valerenga tinha o ponto praticamente guardado. O futebol raramente lê o ambiente, e o Mjondalen não parou para dar explicações.
Direção04/09/2034
O silêncio lá de cima começa a ouvir-se em Mjondalen
Ninguém na direção disse nada contra o treinador — e é esse o problema: também já não dizem nada a favor.
«Não tenho nada de mau a dizer deste sítio. Só preciso de estar noutro.» Já está escrito, e isso muda aquilo que Mjondalen podem fingir não ter ouvido.
«Nunca quis estar noutro sítio. Ainda há trabalho por acabar aqui.» Marius Refsnes compromete-se com o Mjondalen por mais 2 anos.
Plantel04/09/2034
Palavras no treino do Mjondalen sobre quem trabalha
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Wiebe Kooistra está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
Birger Sorloth lesiona os ligamentos do joelho — 22 dias de fora
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 22 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
«Dei tudo aqui e preciso de um desafio novo.» O pedido é formal, e a relação nunca mais vai ser exatamente a mesma.
Direção21/08/2034
Fecha o mercado: 19 entradas, 22 saídas no Mjondalen
O prazo passou e o plantel é o plantel. Chegaram 19, saíram 22, e tudo o resto que se imprimiu sobre este clube no último mês foi um rumor que ficou rumor.
Plantel21/08/2034
Palavras no treino do Mjondalen sobre quem trabalha
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Wiebe Kooistra está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
Avaliado com 8.29. Há carreiras inteiras sem uma única tarde assim, e ele acabou de ter uma à frente de todo o Mjondalen.
O banco21/08/2034
A vista do banco
“Controlámos o jogo. Houve períodos de que não gostei e vamos vê-los, mas o grupo mostrou-me alguma coisa.” Interim Coach, sobre uma vitória por 1‑0 que já ia a desmontar a caminho da sala de imprensa.
Os ossos colam. É a única coisa clemente desta lesão e a razão por que no Mjondalen falarão dela mais abertamente do que de um joelho. Ele vai voltar, e mais ou menos quando disserem.
O Molde segue em frente e o Mjondalen vai para casa, com um 0‑5 a decidir tudo. O balneário vai agora dizer que a prioridade é o campeonato, porque é isso que os balneários dizem.
Os clubes chegaram a acordo, e o que falta é formalidade: exames médicos, uma fotografia, uma assinatura. No Mjondalen ninguém finge que ele voltará a vestir a camisola.
As bancadas15/05/2034
Uma goleada na taça no Molde deixa o Mjondalen a explicar-se
0-5, e muito antes do fim a bancada visitante tinha passado do incentivo para algo bastante mais afiado. Ninguém liga para um programa de rádio por perder por pouco.
Jonathan Spiff e um colega disseram esta semana coisas que vão levar mais do que uma semana a desdizer. Não foi sobre futebol, e ambos jogam no sábado.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Wiebe Kooistra estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
“Há decisões que levam muito tempo. Esta levou dez minutos, e a maior parte foi a encontrar uma caneta.” Ange Chiesa e o Mjondalen acertam mais 4 anos.
“Continuamos a reunir-nos, e continuamos a sair da sala com os mesmos números com que entrámos.” Mais uma ronda de conversas no Mjondalen, mais uma semana sem a assinatura de Wiebe Kooistra.
Todos os treinadores guardam na cabeça uma lista curta dos homens que querem em campo quando a fasquia sobe, e nunca é publicada. As fichas de jogo das tardes grandes dizem que Wiebe Kooistra está nela.
Quando isto acontece nada se anuncia, e toda a gente sabe. É uma parte maior do plano do Mjondalen do que era há um mês, e o centro de treinos percebeu-o antes de a ficha de jogo o dizer.
“O treinador não usou muitas palavras, e não precisou delas.” Noah Mapolin tem a sua resposta do Mjondalen; o que fizer com ela é a história da próxima janela.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para Mathias Lien, e o treinador deixou.
Foi desmentida duas vezes e impressa três, que é a aritmética do costume. Até Vetle Auklend assinar alguma coisa — um contrato no Mjondalen ou noutro lado qualquer —, esta coluna é dele.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Wiebe Kooistra estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
“Hoje não fomos suficientemente bons e não vou enfeitar isto.” Interim Coach depois do 0‑3, no tom de quem sabe qual é a pergunta seguinte e não tenciona responder-lhe.
Todos os treinadores guardam na cabeça uma lista curta dos homens que querem em campo quando a fasquia sobe, e nunca é publicada. As fichas de jogo das tardes grandes dizem que Wiebe Kooistra está nela.
“Lembro-me da reunião. Lembro-me exatamente do que lá foi prometido.” O Mjondalen pode lembrar-se de outra maneira, o que é precisamente o problema.
Plantel10/10/2033
Palavras no treino do Mjondalen sobre quem trabalha
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Wiebe Kooistra está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
Nunca é anunciado e é totalmente visível: as maiores tardes da época continuam a incluí-lo. Uma tribuna de imprensa percebe isto muito antes de alguém no clube confirmar uma palavra.
“Continuamos a reunir-nos, e continuamos a sair da sala com os mesmos números com que entrámos.” Mais uma ronda de conversas no Mjondalen, mais uma semana sem a assinatura de Sondre Beite.
Foi desmentida duas vezes e impressa três, que é a aritmética do costume. Até Vetle Auklend assinar alguma coisa — um contrato no Mjondalen ou noutro lado qualquer —, esta coluna é dele.
Todos os plantéis têm um jogo destes para alguém, todas as épocas. Este é o de Aidan Ibrahimaga: o clube que o conheceu primeiro, os adeptos que vão decidir no primeiro minuto se aplaudem, e o Mjondalen a precisar que ele jogue como se nada disso importasse.
“Trinta minutos, porta fechada, tudo dito. Apertámos as mãos no fim.” O que estava na sala ficou na sala, e Sondre Beite treinou na manhã seguinte como um homem com menos para carregar.
Mathias Lien, 21 anos, joga como se cá estivesse há anos — 7.95
Um 7.95 significa uma coisa ao lado do nome de um jogador de vinte e nove anos e algo completamente diferente ao lado do de um de 21. Ninguém no estádio precisou que lhe explicassem.
Uma média de 7.38 na época, com 17 golos a sustentá-la. Os adversários começaram a planear jogos a pensar nele, que é o elogio mais sincero que o futebol faz.
Plantel26/09/2033
Palavras no treino do Mjondalen sobre quem trabalha
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Wiebe Kooistra está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para Thomas Svensson, e o treinador deixou.
O banco26/09/2033
O veredicto do treinador
“Estou frustrado, sinceramente. Fizemos o suficiente para ganhar e não ganhámos.” Interim Coach não o escondia depois do 2‑2, e no balneário do Mjondalen também ninguém o escondia.
“Trinta minutos, porta fechada, tudo dito. Apertámos as mãos no fim.” O que estava na sala ficou na sala, e Layvin Suédile treinou na manhã seguinte como um homem com menos para carregar.
Há tardes em que o guarda-redes é a equipa inteira. Foram 6 defesas, várias delas do género que ninguém espera ver travado, e um resultado final que fica bem a toda a gente à frente dele.
Acabou 2‑2, e de certa forma sempre pareceu que ia acabar assim. Uma daquelas tardes em que a tabela mexe menos do que os nervos.
O banco20/06/2033
A vista do banco
“Não perdemos. Há semanas em que é só isso que se consegue, e prefiro ter o ponto a não o ter.” Interim Coach escolheu a versão do copo meio cheio do 2‑2; os adeptos saíram com a outra.
«Já durava há demasiado tempo. Prefiro dizê-lo na cara do que deixar aquilo ali.» Dez minutos à porta fechada em Mjondalen, e os dois saíram a dizer que estava tudo bem.