51 dias na estimativa, e um ano longo, privado e sem glamour de uma recuperação que ninguém vê. O LA Galaxy perde um futebolista; ele perde bastante mais do que uma época.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do LA Galaxy, e não vai ser retirado.
Cabeceamentos, cortes, desarmes, interceções: 30 no total, e nem um golo às suas costas. Daquelas exibições que nunca entram nos melhores momentos e ganham jogos.
Já são 10 jogos sem perder. Uns foram conquistados, outros sobrevividos, mas está a formar-se um hábito — e hábitos são a coisa mais difícil de defrontar no futebol.
Os clubes chegaram a acordo, e o que falta é formalidade: exames médicos, uma fotografia, uma assinatura. No LA Galaxy ninguém finge que ele voltará a vestir a camisola.
Mateusz Bogusz esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Jack Turner lesiona os ligamentos do joelho — 59 dias de fora
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 59 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
Posição 1, 55 pontos, e o resultado que todos procuram primeiro agora é o deles. A palavra continua a não se dizer à volta do estádio — e é assim que se sabe que todos a pensam.
Há uma idade a partir da qual toda a boa tarde é descrita como uma recordação do passado, o que é injusto e também exato. 8.10 aos 33, e ninguém no campo esteve melhor.
A série sem derrotas chega aos 9 jogos. Uns foram vitórias e outros fugas, mas uma equipa que se recusa a perder é uma equipa de que os outros balneários falam.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no LA Galaxy coisas que levam mais de uma semana a retirar.
Rio Cardines lesiona os ligamentos do joelho — 14 dias de fora
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 14 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
«Não tenho nada de mau a dizer deste sítio. Só preciso de estar noutro.» Já está escrito, e isso muda aquilo que LA Galaxy podem fingir não ter ouvido.
«A assinatura mais fácil da minha carreira.» Mateusz Bogusz e o LA Galaxy acertam mais 2 anos, e o treinador pode planear a equipa à volta dele, em vez de planear o que fazer com ele.
Mateo Silvetti esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Não há pior forma de perder um futebolista. Julián Aude pré-acordou a saída, o que significa que cada jogo daqui até junho é feito por um homem que o clube já não pode vender, e alguém lá em cima vai ter de explicar como se chegou aqui.
A série sem derrotas chega aos 20 jogos. Uns foram vitórias e outros fugas, mas uma equipa que se recusa a perder é uma equipa de que os outros balneários falam.
Plantel07/06/2038
Matteo Rizzo lesiona os ligamentos do joelho — 46 dias de fora
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 46 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
Os jogos da taça esperam que alguém os agarre, e Junaid Seedat agarrou este contra o St. Louis CITY SC. 2‑0 no fim, e no sorteio da próxima ronda está o nome do LA Galaxy.
Há um silêncio muito próprio numa bancada visitante a ver um homem marcar duas vezes. Ehsan Azmoun produziu-o, e o 9.43 ao lado do seu nome é até generoso para todos os outros.
Há um silêncio muito próprio numa bancada visitante a ver um homem marcar duas vezes. Luke Brooke-Smith produziu-o, e o 9.39 ao lado do seu nome é até generoso para todos os outros.
68 dias na estimativa, e um ano longo, privado e sem glamour de uma recuperação que ninguém vê. O LA Galaxy perde um futebolista; ele perde bastante mais do que uma época.
Brutal, inequívoco e, apesar do horror do momento, normalmente menos determinante para uma carreira do que o ligamento que todos temem mais. 28 dias, um calendário limpo e uma data de regresso com que se pode mesmo planear.
Há um silêncio muito próprio: o de um estádio a ver dissolver-se uma posição vencedora. O Houston Dynamo continuou a vir porque nada o travou, e ao LA Galaxy vão perguntar pela última meia hora a semana inteira.
Dribles concretizados: 32. Pelo minuto setenta aparece no rosto de um lateral um desespero muito próprio, e ali estava ele.
Notas dos jogadores17/05/2038
Darwin Núñez, 38 anos, faz recuar o relógio — 8.47
Há uma idade a partir da qual toda a boa tarde é descrita como uma recordação do passado, o que é injusto e também exato. 8.47 aos 38, e ninguém no campo esteve melhor.
«Dei tudo a isto, mas a minha família não está aqui — e eu também não, na verdade.» A um futebolista corrige-se a má fase. Disto nunca ninguém foi corrigido, e no LA Galaxy sabem-no.
Valor acertado, contrato acertado, exames marcados. Paul Johnson será jogador de outro clube até ao fim de semana, e no LA Galaxy as despedidas começaram em silêncio.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no LA Galaxy coisas que levam mais de uma semana a retirar.
75 dias na estimativa, e um ano longo, privado e sem glamour de uma recuperação que ninguém vê. O LA Galaxy perde um futebolista; ele perde bastante mais do que uma época.
Jogo08/05/2038
Ninguém quer jogar contra o LA Galaxy neste momento
10 vitórias seguidas mudam a forma como o adversário aquece: mais calado, mais olhares de esguelha. As séries acabam, toda a gente o sabe — mas neste balneário ninguém conta com isso.
Os ossos colam. É a única coisa clemente desta lesão e a razão por que no LA Galaxy falarão dela mais abertamente do que de um joelho. Ele vai voltar, e mais ou menos quando disserem.
Aos 38 devia estar a gerir os seus minutos. Em vez disso foi avaliado com 8.51 e pareceu, durante noventa minutos, exatamente o jogador de que toda a gente se lembra.
Entre clubes está tudo fechado e o que falta são papéis e uma fotografia. Em LA Galaxy já falam dele no passado.
Plantel10/05/2038
Uma transferência que Dante Blanco teria feito de graça
Há uma versão de cada carreira em que o jogador acaba onde escolheu e não onde o escolheram. Dante Blanco está a viver essa versão no LA Galaxy, e costuma notar-se no primeiro mês.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no LA Galaxy coisas que levam mais de uma semana a retirar.
9 jogos sem perder em casa. As equipas visitantes chegam já a falar do ambiente, o que costuma ser sinal de que perderam meio jogo antes do pontapé de saída.
89 dias na estimativa, e um ano longo, privado e sem glamour de uma recuperação que ninguém vê. O LA Galaxy perde um futebolista; ele perde bastante mais do que uma época.
Brutal, inequívoco e, apesar do horror do momento, normalmente menos determinante para uma carreira do que o ligamento que todos temem mais. 51 dias, um calendário limpo e uma data de regresso com que se pode mesmo planear.
Cabeceamentos, cortes, desarmes, interceções: 34 no total, e nem um golo às suas costas. Daquelas exibições que nunca entram nos melhores momentos e ganham jogos.
A proposta do Portland Timbers por Luca Steffen foi ouvida e devolvida no próprio dia. As primeiras propostas raramente são para vingar; são para descobrir com que força a porta se fecha.
Os clubes chegaram a acordo, e o que falta é formalidade: exames médicos, uma fotografia, uma assinatura. No LA Galaxy ninguém finge que ele voltará a vestir a camisola.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no LA Galaxy coisas que levam mais de uma semana a retirar.
96 dias na estimativa, e um ano longo, privado e sem glamour de uma recuperação que ninguém vê. O LA Galaxy perde um futebolista; ele perde bastante mais do que uma época.
Brutal, inequívoco e, apesar do horror do momento, normalmente menos determinante para uma carreira do que o ligamento que todos temem mais. 58 dias, um calendário limpo e uma data de regresso com que se pode mesmo planear.
Já são 7 vitórias seguidas, e a pergunta deixou de ser se a série acaba para passar a ser quem a acaba. Confiança assim não se compra; ganha-se exatamente desta maneira.
Há golos que ganham jogos e golos que os tiram a alguém. Ehsan Azmoun marcou ao minuto 88, o FC Dallas já pensava na viagem de regresso, e o LA Galaxy levou tudo.
Dribles concretizados: 30. Cada vez que recebia, alguém tinha de decidir, e todas as vezes a decisão foi a errada.
Notas dos jogadores19/04/2038
Darwin Núñez, 38 anos, faz recuar o relógio — 8.47
Há uma idade a partir da qual toda a boa tarde é descrita como uma recordação do passado, o que é injusto e também exato. 8.47 aos 38, e ninguém no campo esteve melhor.
6 triunfos consecutivos como visitante. As equipas que ganham fora costumam saber defender e contra-atacar, e a tabela começou a refletir o que essas viagens renderam.
Valor acertado, contrato acertado, exames marcados. Luca Steffen será jogador de outro clube até ao fim de semana, e no LA Galaxy as despedidas começaram em silêncio.
2 golos, e o segundo foi o que fechou o jogo. Nota de 9.11, e com mais sorte ao primeiro poste teria tido um terceiro.
Notas dos jogadores12/10/2037
Dor Turgeman, 33 anos, faz recuar o relógio — 9.53
Há uma idade a partir da qual toda a boa tarde é descrita como uma recordação do passado, o que é injusto e também exato. 9.53 aos 33, e ninguém no campo esteve melhor.
«Quero ganhar coisas e gostava de o fazer aqui.» Não se exigiu nada nem se ameaçou nada, mas uma direção como a de LA Galaxy ouve uma frase destas exatamente como foi construída.
Mateo Silvetti esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Já são 3 vitórias seguidas, e a pergunta deixou de ser se a série acaba para passar a ser quem a acaba. Confiança assim não se compra; ganha-se exatamente desta maneira.
Plantel12/10/2037
Darwin Núñez desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
41 ações defensivas e uma baliza a zero no fim delas. A tarde de um defesa só se pode contar pelo que não aconteceu, e é por isso que ninguém faz um resumo com ela e qualquer treinador da divisão a assinava.
Uma média de 7.74 na época, com 12 golos a sustentá-la. Os adversários começaram a planear jogos a pensar nele, que é o elogio mais sincero que o futebol faz.
Notas dos jogadores17/08/2037
Dor Turgeman, 33 anos, faz recuar o relógio — 8.29
Há uma idade a partir da qual toda a boa tarde é descrita como uma recordação do passado, o que é injusto e também exato. 8.29 aos 33, e ninguém no campo esteve melhor.
Mohau Nkota esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Os clubes chegaram a acordo, e o que falta é formalidade: exames médicos, uma fotografia, uma assinatura. No LA Galaxy ninguém finge que ele voltará a vestir a camisola.
A dinâmica não se compra e perde-se depressa; neste momento o LA Galaxy tem 3 vitórias seguidas dela.
Plantel17/08/2037
Palavras no treino do LA Galaxy sobre quem trabalha
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Mateo Silvetti está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
Já são 27 jogos sem perder. Uns foram conquistados, outros sobrevividos, mas está a formar-se um hábito — e hábitos são a coisa mais difícil de defrontar no futebol.
Os clubes chegaram a acordo, e o que falta é formalidade: exames médicos, uma fotografia, uma assinatura. No LA Galaxy ninguém finge que ele voltará a vestir a camisola.
Aos 34 devia estar a gerir os seus minutos. Em vez disso foi avaliado com 7.89 e pareceu, durante noventa minutos, exatamente o jogador de que toda a gente se lembra.
«Tenho ambições e gostava que o clube as partilhasse.» Ninguém pediu para sair nem foi mandado embora — mas um jogador escolhe essa frase com cuidado, e uma administração ouve-a exactamente como foi pensada.
«A assinatura mais fácil da minha carreira.» Mohau Nkota e o LA Galaxy acertam mais 2 anos, e o treinador pode planear a equipa à volta dele, em vez de planear o que fazer com ele.
Mohau Nkota esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Plantel06/07/2037
Palavras no treino do LA Galaxy sobre quem trabalha
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Mateo Silvetti está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
Notas dos jogadores06/07/2037
Ehsan Azmoun jogou uma tarde diferente da de toda a gente
8.64. Há exibições que um adepto descreve a quem não esteve lá e não consegue transmitir; esta foi uma, e o número também não ajuda.
3 atrás e sem rumo, até Ehsan Azmoun decidir o contrário. O St. Louis CITY SC tinha feito a parte difícil e depois viu-a desfazer-se, e o barulho no apito final foi daqueles que um estádio guarda.
3 golos num só jogo. O primeiro foi bem apontado, o segundo com fome, e ao terceiro a bancada já só esperava que a bola lhe chegasse.
Jogo20/06/2037
Ninguém quer jogar contra o LA Galaxy neste momento
5 vitórias seguidas mudam a forma como o adversário aquece: mais calado, mais olhares de esguelha. As séries acabam, toda a gente o sabe — mas neste balneário ninguém conta com isso.
Os clubes chegaram a acordo, e o que falta é formalidade: exames médicos, uma fotografia, uma assinatura. No LA Galaxy ninguém finge que ele voltará a vestir a camisola.
É a ambição mais legítima do desporto e a mais difícil de satisfazer para a maioria dos clubes. Mateo Silvetti quer futebol continental; se o LA Galaxy o consegue oferecer é uma pergunta sobre as próximas duas épocas, não sobre ele.
Mohau Nkota esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
«Não tenho nada de mau a dizer deste sítio. Só preciso de estar noutro.» Já está escrito, e isso muda aquilo que LA Galaxy podem fingir não ter ouvido.
Aos 33 devia estar a gerir os seus minutos. Em vez disso foi avaliado com 8.35 e pareceu, durante noventa minutos, exatamente o jogador de que toda a gente se lembra.
A versão geral desta queixa é que um jogador quer mais. A versão concreta dá-lhe nome: quer entrar sob os holofotes contra clubes de outros países, e deixou de fingir o contrário.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no LA Galaxy coisas que levam mais de uma semana a retirar.
Plantel20/04/2037
Mateo Silvetti desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.