A música estava desligada e os duches correram até tarde. O que se disse naquele balneário fica lá, mas o sábado publicará a ata.
O banco17/03/2036
A vista do banco
“Vamos analisar, vamos aprender com isto, e vamos outra vez.” As três frases que todos os treinadores guardam para uma derrota por 0‑3, ditas por Kwadwo Gyan a uma sala que já as tinha ouvido.
“Há decisões que levam muito tempo. Esta levou dez minutos, e a maior parte foi a encontrar uma caneta.” Afriyie Annan e o Ashanti Gold acertam mais 3 anos.
Ninguém no Ashanti Gold dirá isto para gravador e as fichas de jogo dizem-no há semanas. Em qualquer plantel há um grupo pequeno a que se recorre quando o jogo é difícil, e ele já lá está.
Há exatamente uma destas por carreira e normalmente não corre assim. 0 no marcador, 7.50 ao lado do nome e uma bancada que nunca o tinha visto a cantá-lo no final.
Notas dos jogadores10/03/2036
Abraham Sulemana, 20 anos, joga como se cá estivesse há anos — 7.98
Um 7.98 significa uma coisa ao lado do nome de um jogador de vinte e nove anos e algo completamente diferente ao lado do de um de 20. Ninguém no estádio precisou que lhe explicassem.
“Controlámos o jogo. Houve períodos de que não gostei e vamos vê-los, mas o grupo mostrou-me alguma coisa.” Kwadwo Gyan, sobre uma vitória por 1‑0 que já ia a desmontar a caminho da sala de imprensa.
O banco10/03/2036
Japhet Matondo tornou-se um homem de confiança do treinador
Ninguém no Ashanti Gold dirá isto para gravador e as fichas de jogo dizem-no há semanas. Em qualquer plantel há um grupo pequeno a que se recorre quando o jogo é difícil, e ele já lá está.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para Albert Afful, e o treinador deixou.
O desenho queria outro perfil frente a este adversário, o que é uma resposta futebolística a sério e nenhum consolo para o visado. Não fez nada de errado e não jogou.
Há tardes em que um guarda-redes é a defesa inteira. 8 defesas, várias do género que ninguém espera ver feitas, e dez jogadores de campo que lhe devem uma bebida.
O mais difícil de ter 18 anos numa equipa principal é que ninguém perdoa nada. Bernard Sulemana não precisou: 8.13, e parecia o homem mais à vontade no relvado.
«Não tenho nada de mau a dizer deste sítio. Só preciso de estar noutro.» Já está escrito, e isso muda aquilo que Ashanti Gold podem fingir não ter ouvido.
Valor acertado, contrato acertado, exames marcados. Abeiku Wakaso será jogador de outro clube até ao fim de semana, e no Ashanti Gold as despedidas começaram em silêncio.
Há um calor muito próprio que um estádio guarda para um jovem de 18 anos que sente como seu. Bernard Sulemana tem-no agora, e tudo o que fizer no resto do tempo aqui será medido contra a boa vontade que lhe deram de graça.
Um mês é longo o suficiente para ninguém entrar por acaso. Abraham Sulemana está no melhor onze da divisão, o que é um elogio mais discreto do que um prémio e mais fiável.
Há tardes em que um guarda-redes é a defesa inteira. 8 defesas, várias do género que ninguém espera ver feitas, e dez jogadores de campo que lhe devem uma bebida.
O negócio que levaria Joseph Paintsil para o New Edubiase United caiu na fase final e ele reapresenta-se no Ashanti Gold com um verão para esquecer e uma época inteira para jogar. Ninguém diz quem se levantou da mesa.
«Não tenho nada de mau a dizer deste sítio. Só preciso de estar noutro.» Já está escrito, e isso muda aquilo que Ashanti Gold podem fingir não ter ouvido.
Direção04/02/2036
O prazo passa com 0 contratações e 4 saídas
Está feito o negócio no Ashanti Gold até o mercado voltar a abrir. Se chegou, responde-se aos sábados e não numa coluna, e o primeiro sábado está perto.
Os clubes chegaram a acordo, e o que falta é formalidade: exames médicos, uma fotografia, uma assinatura. No Ashanti Gold ninguém finge que ele voltará a vestir a camisola.
Um 0‑3 imposto pelo Asante Kotoko é o tipo de resultado que esvazia o estádio muito antes do apito final.
Jogo29/12/2035
Não se vê o fim da espera do Ashanti Gold por uma vitória
Já são 8 jogos sem vencer, e as desculpas gastaram-se mais depressa do que a paciência. Alguém no Ashanti Gold tem de arrancar um resultado de algum lado.
«Não tenho nada de mau a dizer deste sítio. Só preciso de estar noutro.» Já está escrito, e isso muda aquilo que Ashanti Gold podem fingir não ter ouvido.
Metade do calendário jogado, 8.º lugar, 21 pontos somados. Multiplicar por dois é a conta que todos os adeptos já fizeram e a única que ninguém no clube fará em voz alta.
Direção31/12/2035
Ninguém saiu depressa do balneário de Ashanti Gold
A porta ficou fechada muito depois do apito final. O que ali se disse é com eles; se resultou, decide-se no sábado.
“O treinador não usou muitas palavras, e não precisou delas.” Gladson Addo tem a sua resposta do Ashanti Gold; o que fizer com ela é a história da próxima janela.
Em resumo
O bancoJaphet Matondo tornou-se um homem de confiança do treinador
Valor acertado, contrato acertado, exames marcados. Thomas Kudus será jogador de outro clube até ao fim de semana, e no Ashanti Gold as despedidas começaram em silêncio.
Um médio mede-se por saber se a equipa funciona quando ele está em campo, algo quase impossível de ver e completamente óbvio em retrospetiva. 14 ações, 7.00, e um treinador que não o vai substituir tão cedo.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para Bernard Mohammed, e o treinador deixou.
Nunca é anunciado e é totalmente visível: as maiores tardes da época continuam a incluí-lo. Uma tribuna de imprensa percebe isto muito antes de alguém no clube confirmar uma palavra.
O banco10/12/2035
A vista do banco
“Não perdemos. Há semanas em que é só isso que se consegue, e prefiro ter o ponto a não o ter.” Kwadwo Gyan escolheu a versão do copo meio cheio do 0‑0; os adeptos saíram com a outra.
Dribles concretizados: 12. Passou por eles como se lhe tivessem dito que havia prémio por isso, e no fim o lateral já tinha deixado de fingir que tentava.
A única versão de ficar de fora contra a qual um jogador não pode argumentar, e a que pior aceita. Outro tem estado melhor e a ficha de jogo di-lo, em público, todas as semanas até mudar.
Gladson Essien lesiona os ligamentos do joelho — 25 dias de fora
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 25 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
Os clubes chegaram a acordo, e o que falta é formalidade: exames médicos, uma fotografia, uma assinatura. No Ashanti Gold ninguém finge que ele voltará a vestir a camisola.
Avaliado com 7.99. Pergunte a qualquer pessoa à saída do estádio o que decidiu aquilo e receberá um nome, que é o único prémio que alguma vez contou a sério.
«A assinatura mais fácil da minha carreira.» Abdul Ayew e o Ashanti Gold acertam mais 3 anos, e o treinador pode planear a equipa à volta dele, em vez de planear o que fazer com ele.
Nunca é anunciado e é totalmente visível: as maiores tardes da época continuam a incluí-lo. Uma tribuna de imprensa percebe isto muito antes de alguém no clube confirmar uma palavra.
O banco26/11/2035
A vista do banco
“Não perdemos. Há semanas em que é só isso que se consegue, e prefiro ter o ponto a não o ter.” Kwadwo Gyan escolheu a versão do copo meio cheio do 1‑1; os adeptos saíram com a outra.