27 dias no comunicado, e por trás dele um ano de recuperação silenciosa, sem ninguém a ver. O Felgueiras perde um jogador por uma época; ele perde algo mais difícil de nomear.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do Felgueiras, e não vai ser retirado.
Denis Huseinbašić e um colega disseram esta semana coisas que vão levar mais do que uma semana a desdizer. Não foi sobre futebol, e ambos jogam no sábado.
Plantel10/06/2030
Palavras no treino do Felgueiras sobre quem trabalha
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Issa Doumbia está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
«Dei tudo a isto, mas a minha família não está aqui — e eu também não, na verdade.» A um futebolista corrige-se a má fase. Disto nunca ninguém foi corrigido, e no Felgueiras sabem-no.
“Continuamos a reunir-nos, e continuamos a sair da sala com os mesmos números com que entrámos.” Mais uma ronda de conversas no Felgueiras, mais uma semana sem a assinatura de Wanya Marçal.
Toda a gente deixou de fingir: o Penafiel vai fazer a chamada por Sunusi Audu esta semana. O Felgueiras tem um número em mente, e o número não é tímido.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do Felgueiras, e não vai ser retirado.
Valor acertado, contrato acertado, exames marcados. Lucas Perdomo será jogador de outro clube até ao fim de semana, e no Felgueiras as despedidas começaram em silêncio.
Denis Huseinbašić e um colega disseram esta semana coisas que vão levar mais do que uma semana a desdizer. Não foi sobre futebol, e ambos jogam no sábado.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Issa Doumbia estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
“Tentei. Tentei mesmo, e todos os dias acordo no sítio errado.” No Felgueiras ninguém consegue treinar isso para fora de um homem, e ninguém lá finge que consegue.
Toda a carreira longa chega à semana em que o jogador começa a pensar na última. Gostaria que fosse no clube que o pôs pela primeira vez num campo, e no Felgueiras já sabem disso.
O banco13/05/2030
André Moreira tornou-se um homem de confiança do treinador
Ninguém no Felgueiras dirá isto para gravador e as fichas de jogo dizem-no há semanas. Em qualquer plantel há um grupo pequeno a que se recorre quando o jogo é difícil, e ele já lá está.
“Trinta minutos, porta fechada, tudo dito. Apertámos as mãos no fim.” O que estava na sala ficou na sala, e Wanya Marçal treinou na manhã seguinte como um homem com menos para carregar.
A direcção disse em público o que já dizia em privado. Os resultados daqui até à próxima reunião decidem tudo, e no clube toda a gente sabe fazer as contas.
Valor acertado, contrato acertado, exames marcados. Dalbert será jogador de outro clube até ao fim de semana, e no Felgueiras as despedidas começaram em silêncio.
«Não tenho nada de mau a dizer deste sítio. Só preciso de estar noutro.» Já está escrito, e isso muda aquilo que Felgueiras podem fingir não ter ouvido.
Denis Huseinbašić e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
Plantel06/05/2030
Palavras no treino do Felgueiras sobre quem trabalha
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Wanya Marçal está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
«Dei tudo a isto, mas a minha família não está aqui — e eu também não, na verdade.» A um futebolista corrige-se a má fase. Disto nunca ninguém foi corrigido, e no Felgueiras sabem-no.
Em resumo
DireçãoOs salários levam 93% do que Felgueiras recebem
14 dias no comunicado, e por trás dele um ano de recuperação silenciosa, sem ninguém a ver. O Felgueiras perde um jogador por uma época; ele perde algo mais difícil de nomear.
Direção01/04/2030
O silêncio lá de cima começa a ouvir-se em Felgueiras
Ninguém na direção disse nada contra o treinador — e é esse o problema: também já não dizem nada a favor.
11.º lugar com 41 pontos. Todas as épocas são uma história e esta é a última linha dela, e agora o clube tem três meses para decidir de que fala a próxima.
Há tardes em que o guarda-redes é a equipa inteira. Foram 7 defesas, várias delas do género que ninguém espera ver travado, e um resultado final que fica bem a toda a gente à frente dele.
«Não tenho nada de mau a dizer deste sítio. Só preciso de estar noutro.» Já está escrito, e isso muda aquilo que Felgueiras podem fingir não ter ouvido.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Felgueiras coisas que levam mais de uma semana a retirar.
Plantel01/04/2030
Issa Doumbia desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
21 dias na estimativa, e um ano longo, privado e sem glamour de uma recuperação que ninguém vê. O Felgueiras perde um futebolista; ele perde bastante mais do que uma época.
«Não tenho nada de mau a dizer deste sítio. Só preciso de estar noutro.» Já está escrito, e isso muda aquilo que Felgueiras podem fingir não ter ouvido.
Os clubes chegaram a acordo, e o que falta é formalidade: exames médicos, uma fotografia, uma assinatura. No Felgueiras ninguém finge que ele voltará a vestir a camisola.
Não foi por futebol e todos os que viram sabem-no. Dois homens que no sábado têm de jogar juntos disseram esta semana no Felgueiras coisas que levam mais de uma semana a retirar.
Plantel25/03/2030
Palavras no treino do Felgueiras sobre quem trabalha
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam. Denis Huseinbašić está no centro disso, e o plantel vai agora descobrir se a fasquia sobe ou se os dois simplesmente deixam de se falar.
Os salários ultrapassaram as receitas e a contabilidade começou a aparecer em reuniões a que antes mandava desculpas. Numa época destas, a ambição vem em segundo.
Houve 10 defesas pelo meio e pelo menos três que não tinham nada que ser defesas. Os dez jogadores de campo devem-lhe um copo, e sabem-no.
Plantel18/03/2030
Jean Deza lesiona os ligamentos do joelho — 29 dias de fora
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 29 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
Os clubes acertaram a verba e ele acertou o salário. Faltam os exames médicos e uma fotografia, e à volta do Felgueiras já se começa a dizer o nome dele no passado.
Dribles concretizados: 24. Passou por eles como se lhe tivessem dito que havia prémio por isso, e no fim o lateral já tinha deixado de fingir que tentava.
Valor acertado, contrato acertado, exames marcados. Matteo Di Gennaro será jogador de outro clube até ao fim de semana, e no Felgueiras as despedidas começaram em silêncio.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Denis Huseinbašić estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
Santiago Eraso e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
“Escolho jogadores que fazem o trabalho. Todo o trabalho.” Nenhum nome foi dito; todas as câmaras se viraram na mesma para Ennio van der Gouw, e o treinador deixou.
Em resumo
O bancoA vista do banco
O bancoAndré Moreira tornou-se um homem de confiança do treinador
Jean Deza lesiona os ligamentos do joelho — 37 dias de fora
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 37 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
Notas dos jogadores11/03/2030
Bernardo Barbosa, 17 anos, joga como se cá estivesse há anos — 7.79
Um 7.79 significa uma coisa ao lado do nome de um jogador de vinte e nove anos e algo completamente diferente ao lado do de um de 17. Ninguém no estádio precisou que lhe explicassem.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do Felgueiras, e não vai ser retirado.
Valor acertado, contrato acertado, exames marcados. Lucas Perdomo será jogador de outro clube até ao fim de semana, e no Felgueiras as despedidas começaram em silêncio.
Há uma versão de cada carreira em que o jogador acaba onde escolheu e não onde o escolheram. Michał Mokrzycki está a viver essa versão no Felgueiras, e costuma notar-se no primeiro mês.
Plantel11/03/2030
Ibrahima Ba desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
47 dias no comunicado, e por trás dele um ano de recuperação silenciosa, sem ninguém a ver. O Universitario perde um jogador por uma época; ele perde algo mais difícil de nomear.
Os clubes chegaram a acordo, e o que falta é formalidade: exames médicos, uma fotografia, uma assinatura. No Universitario ninguém finge que ele voltará a vestir a camisola.
As regras permitem-no e dói na mesma. Caín Fara acertou condições com o Cesar Vallejo para o verão e, até lá, veste esta camisola como quem já escolheu a seguinte.
Alguém disse em voz alta o que vários pensavam sobre a intensidade com que outro treina, e Marcos López estava no meio disso. A única discussão de balneário que é mesmo sobre futebol.
A versão geral desta queixa é que um jogador quer mais. A versão concreta dá-lhe nome: quer entrar sob os holofotes contra clubes de outros países, e deixou de fingir o contrário.
O banco30/07/2029
Diego Romero tornou-se um homem de confiança do treinador
Ninguém no Universitario dirá isto para gravador e as fichas de jogo dizem-no há semanas. Em qualquer plantel há um grupo pequeno a que se recorre quando o jogo é difícil, e ele já lá está.
“Trinta minutos, porta fechada, tudo dito. Apertámos as mãos no fim.” O que estava na sala ficou na sala, e Fernando Pacheco treinou na manhã seguinte como um homem com menos para carregar.
54 dias na estimativa, e um ano longo, privado e sem glamour de uma recuperação que ninguém vê. O Universitario perde um futebolista; ele perde bastante mais do que uma época.
Verba acordada, salário acordado, e o Alianza Atletico à espera com uma camisola. No Universitario ninguém finge o contrário, e os adeptos deixaram de perguntar se e passaram a perguntar quando.
«Não tenho nada de mau a dizer deste sítio. Só preciso de estar noutro.» Já está escrito, e isso muda aquilo que Universitario podem fingir não ter ouvido.
Direção23/07/2029
O Universitario fecha o mercado com um plantel feito por si
11 entradas e 13 saídas, e nenhuma mudança durante meses. O treinador tem o que tem, os adeptos têm a sua opinião sobre isso, e a tabela terá a última palavra.
Os clubes chegaram a acordo, e o que falta é formalidade: exames médicos, uma fotografia, uma assinatura. No Universitario ninguém finge que ele voltará a vestir a camisola.
Vai jogar aqui até ao verão e depois sair pela porta de graça, tendo já assinado noutro lado. Os adeptos aguentam a primeira parte desta frase; é com a segunda que vão ter dificuldade.
71 dias na estimativa, e um ano longo, privado e sem glamour de uma recuperação que ninguém vê. O Alianza Atletico perde um futebolista; ele perde bastante mais do que uma época.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do Alianza Atletico, e não vai ser retirado.
O Alianza Atletico perguntou e o Alianza Lima disse que não sem discutir um valor. É a resposta menos ambígua do futebol, e a que os clubes mais vezes voltam para testar.
10 entradas e 11 saídas, e nenhuma mudança durante meses. O treinador tem o que tem, os adeptos têm a sua opinião sobre isso, e a tabela terá a última palavra.
Carlos Cáceda esteve no centro e, quando os separaram, havia mais três ou quatro envolvidos. Os centros de treino são lugares pequenos e as temporadas longas tornam-nos menores.
Perguntam tantas vezes aos futebolistas pelo clube da infância que ninguém ouve a resposta. Alexandro Pérez acabou de assinar pelo Alianza Atletico e, por uma vez, a resposta importava.
A papelada fica pronta muito antes do jogador. Jean Deza acertou vir quando o contrato atual terminar, o que significa que o Alianza Atletico substituiu um orçamento de verão por um telefonema.
«Quem não corre por esta camisola não a veste muito tempo.» Não se disse nenhum nome e não era preciso; no balneário toda a gente percebeu para quem era.
Em resumo
PlantelPalavras no treino do Alianza Atletico sobre quem trabalha
Alvos de mercadoUm empréstimo de Franco Zanelatto está em marcha
Jean Deza lesiona os ligamentos do joelho — 61 dias de fora
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 61 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
“Não é zanga. Penso nisto há meses, e nada do que aconteceu ultimamente me fez mudar de ideias.” O pedido está numa secretária do Universitario, e não vai ser retirado.
Vai jogar aqui até ao verão e depois sair pela porta de graça, tendo já assinado noutro lado. Os adeptos aguentam a primeira parte desta frase; é com a segunda que vão ter dificuldade.
Marcos López e um colega pegaram-se, e não foi por causa de futebol. Os centros de treinos são sítios pequenos, e uma época longa torna-os mais pequenos ainda.
Os clubes chegaram a acordo, e o que falta é formalidade: exames médicos, uma fotografia, uma assinatura. No Universitario ninguém finge que ele voltará a vestir a camisola.
O interesse é real o suficiente para ter chegado aos jornais. O Universitario nada diz, o que em pleno mercado também é uma resposta.
Plantel16/07/2029
Rodrigo Bogarín desentende-se com um colega por causa das exigências
A discussão mais antiga de qualquer balneário e a única que é mesmo sobre futebol: um acha que o outro não põe o suficiente. É também a zanga que um treinador, em privado, não lamenta que tenha acontecido.
Christian Ortiz lesiona os ligamentos do joelho — 112 dias de fora
As palavras que um fisioterapeuta diz devagar. 112 dias é o que o clube vai anunciar, e quem já ouviu este diagnóstico sabe que o número é o menos importante: o joelho volta antes do jogador.
Os ossos colam. É a única coisa clemente desta lesão e a razão por que no Universitario falarão dela mais abertamente do que de um joelho. Ele vai voltar, e mais ou menos quando disserem.
O Universitario e o Rosario Central acertaram em $7.4M. O resto pertence ao jogador e ao empresário, e um adepto que já viu uma destas sabe que ainda não é altura de comprar a camisola.
A proposta seguiu esta semana para o Estudiantes, e a resposta é deles. As primeiras propostas raramente são para vingar; são para descobrir com que força a porta se fecha.
A última coisa numa transferência que ainda depende do jogador é a assinatura nas suas próprias condições, e está lá. O Universitario perdeu-o em tudo menos nos papéis.
Os clubes tinham acordado e o jogador não. Uma nega, e pública: o Deportivo Pasto fica com ele, e os adeptos daqui ficam a perguntar-se o que lhe terão dito sobre esta casa.
Valor acertado, contrato acertado, exames marcados. José Carabalí será jogador de outro clube até ao fim de semana, e no Universitario as despedidas começaram em silêncio.